O São Paulo Fashion Week (SPFW) completou 30 anos em 2025, consolidando-se como o maior evento de moda do Hemisfério Sul. A edição N60, realizada de 13 a 20 de outubro, celebrou essa trajetória com desfiles em espaços icônicos da capital paulista, como o Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera, e o Teatro Iguatemi.
Embora a venda de parte do evento para um grupo empresarial tenha ocorrido há alguns anos, foi nesta edição que essa comercialização se tornou mais evidente, especialmente com a venda de convites ao público de maneira mais abrangente e enfática.
Parte do histórico dessas três décadas foi resgatado em uma exposição especial que apresentou looks icônicos e a evolução da estrutura e estética do evento ao longo do tempo.
Tendências da edição N60
A edição comemorativa apresentou tendências que reforçam a diversidade e a inovação da moda brasileira:
Calça balão (harem): destaque nas coleções de Flavia Aranha, Fauve e Marina Bitu, com tecidos fluidos e acetinados.
Transparências: criadas para sobreposições e efeitos visuais sutis.
Volume no quadril: presente em saias e vestidos, acrescentando dinamismo às silhuetas.
Poás e bolinhas: um clássico reinterpretado com leveza e modernidade.
Franjas: incorporadas em diferentes coleções, trazendo movimento e textura.
A programação contou ainda com o retorno de Ronaldo Fraga, Amir Slama e Flavia Aranha, além das estreias de Uó, de Marcelo Sommer, e da linha de vestuário da Chapéus Davi Ramos.
Ao completar três décadas, o SPFW segue como referência de criatividade e expressão, mas evidencia novos desafios. A presença de um grupo empresarial e a venda de ingressos reacendem o debate sobre o equilíbrio entre legado e inovação, mostrando que o futuro da moda brasileira depende de conciliar autenticidade, acesso e propósito.
Por Camila Diniz
Consultora de Moda e Personal Stylist
