Pular para o conteúdo

Estilo Consciente: A Visão de Viviane Pratis

Por Viviane Pratis, correspondente em Londres Com mais de 300 peças de seu acervo pessoal, exposição no Palácio de Buckingham revela os bastidores de um dos guarda-roupas mais emblemáticos do século XX. O sucesso foi tão extraordinário que a mostra foi prorrogada até abril de 2027. Muito além das coroas, joias e vestidos deslumbrantes, o […]

Ampliar imagem

Por Viviane Pratis, correspondente em Londres

A nova exposição no Palácio de Buckingham, que apresenta mais de 300 peças do guarda-roupa pessoal da Rainha Elizabeth II, oferece um olhar íntimo sobre um dos estilos mais icônicos do século XX. Devido ao sucesso estrondoso, a mostra foi estendida até abril de 2027.

Além de joias, coroas e vestidos glamorosos, o vestuário da Rainha Elizabeth II narra uma rica história que abrange tradição, identidade, diplomacia e a evolução da moda britânica.

Em homenagem ao centenário do nascimento da monarca, que será celebrado em 21 de abril de 2026, a exposição intitulada Queen Elizabeth II: Her Life in Style proporciona uma jornada cativante por dez décadas de sofisticação. O evento acontece na The King’s Gallery, dentro do complexo do Palácio de Buckingham, em Londres. A mostra inclui uma variedade impressionante de itens como vestidos, conjuntos, chapéus, joias, acessórios, esboços originais e documentos históricos – muitos apresentados pela primeira vez ao público.
Inicialmente programada para encerrar em outubro de 2026, a exibição teve sua duração estendida por mais seis meses devido à demanda sem precedentes. Os ingressos esgotaram-se rapidamente após a abertura, consolidando-a como um dos principais eventos culturais do ano na capital britânica.

A construção de um estilo que atravessou gerações

Desde sua tenra infância, Elizabeth teve suas roupas minuciosamente escolhidas por sua mãe, a futura Rainha Elizabeth, a Rainha-Mãe. Seu guarda-roupa infantil incluía vestidos com estampas Liberty e pequenos chapéus que desde cedo atraíam a atenção pública.

Com o passar dos anos, suas escolhas refletiram as profundas mudanças na moda europeia, desde o esplendor da alta-costura dos anos 1930 até o reconhecimento dos grandes nomes do design britânico.

Entre os estilistas que moldaram essa jornada estão Jeanne Lanvin, Edward Molyneux, Norman Hartnell e Hardy Amies. Esses criadores desempenharam papéis cruciais na formação de uma identidade visual amplamente reconhecida.

A estilista francesa Jeanne Lanvin teve um impacto significativo nos primeiros anos da princesa. Sua mãe tornou-se cliente da maison nos anos 1930 e encomendou peças também para as irmãs Elizabeth e Margaret. Os vestidos coordenados das duas revelavam uma estética delicada com tecidos requintados e silhuetas elaboradas.

Edward Molyneux também se destacou naquele período; ele desenhou o vestido usado por Elizabeth como dama de honra no casamento do Duque de Kent em 1934. Feito em lamê prateado e tule de seda, essa peça exemplificava a elegância característica daquela época.

Norman Hartnell: o estilista por trás dos grandes momentos da realeza
Um dos segmentos mais marcantes da exposição é dedicado à obra de Norman Hartnell (1901-1979), considerado fundamental para a ascensão da alta-costura britânica.

Hartnell foi responsável por criar dois dos vestidos mais memoráveis na trajetória de Elizabeth II: o vestido de noiva em 1947 e o vestido usado na coroação em 1953.

O vestido nupcial foi confeccionado em cetim de seda e tule adornado com bordados de pérolas e cristais. Inspirado pela obra Primavera do pintor Sandro Botticelli, ele simbolizava renovação após os tempos difíceis da Segunda Guerra Mundial. A cauda luxuosa com cerca de quatro metros se destacou como uma verdadeira obra-prima artesanal.

No caso do vestido da coroação produzido em 1953, este se tornou um ícone da moda cerimonial. Com bordados que representavam símbolos florais dos territórios sob a Coroa britânica, unia tradição nacional à riqueza impressionante dos detalhes presentes na peça.

Hartnell também criou sofisticados vestidos noturnos; um modelo datado de 1953 possuía uma saia volumosa com corpete ajustado e renda rebordada que exemplificava a excelência técnica dos ateliês britânicos.

Mais do que simplesmente vestir uma rainha, esses estilistas ajudaram a apresentar ao mundo a moda britânica.

Elegância com propósito: quando vestir também significa comunicar

A exposição revela um aspecto fascinante: quase todas as escolhas no guarda-roupa real eram deliberadas.

A Rainha Elizabeth II entendia bem o poder da imagem e utilizava suas vestimentas como instrumentos comunicativos.

Durante viagens oficiais, as cores e os detalhes eram escolhidos cuidadosamente para homenagear os países visitados e respeitar tradições culturais e religiosas locais.

Esse conceito frequentemente denominado “fashion diplomacy” transformou suas aparições públicas em declarações visuais de respeito mútuo.

A rainha era conhecida por optar por cores vibrantes durante compromissos oficiais. Essa escolha prática ajudava sua identificação entre as multidões presentes.

Dessa forma, seu estilo se firmou como uma combinação única entre elegância funcional e reconhecimento imediato.

A força dos acessórios e a sofisticação do cotidiano
Enquanto os vestidos principais simbolizavam o glamour real, os conjuntos bem cortados expressavam disciplina estética.

Casacos estruturados, roupas coordenadas com bolsas discretas e chapéus elaboradamente desenhados formaram uma silhueta coesa ao longo das décadas.

No período entre as décadas de 1950 e 1980, a rainha frequentemente encomendava peças para suas atividades oficiais priorizando cortes primorosos e tecidos nobres para garantir proporções equilibradas nas vestimentas.
Cada detalhe era pensado para proporcionar conforto e liberdade durante seus compromissos.

Os chapéus não eram meramente adornos; eles eram desenvolvidos pela modista Kate Day entre os anos 1940 e 1950 com atenção à elegância aliada à personalidade da rainha.

Longe das cerimônias formais porém igualmente marcante estava sua estética campestre: casacos de tweed combinados com lenços de seda ou malhas práticas junto às botas de montaria. Essas escolhas refletiam marcas britânicas renomadas como Burberry e Daks.

A fusão entre tradição e praticidade tornou-se uma referência internacional influenciando criadores contemporâneos até hoje.

As joias que contam histórias

Dentre os acessórios expostos na mostra está a joalheria real que ocupa um espaço especial. Um exemplo notável é a tiara feita com rubis birmaneses criada pela joalheria Garrard em 1971; ela simboliza a relação entre joias históricas e memória cultural.A peça contém 96 rubis que originalmente pertenciam a um colar presenteado à então princesa Elizabeth pelo povo birmanês como presente matrimonial em 1947.
Essas pedras foram transformadas numa composição esplendorosa junto aos diamantes integrando assim uma das joias mais célebres do acervo.
Uma das mais emblemáticas é a Tiara das Águas-Marinhas Brasileiras; ela representa não apenas elegância mas também as relações diplomáticas entre Brasil e Reino Unido durante o governo Getúlio Vargas.
Cada item deste guarda-roupa revela não apenas tendências fashion mas também eventos políticos relevantes além das particularidades familiares que marcaram sua época.

Muito além da monarquia: um legado para a moda contemporânea

A relevância desta exposição reside na capacidade de enxergar a moda como documento histórico significativo.

Cada vestido ou acessório reflete o trabalho meticuloso realizado por costureiros talentosos assim como alfaiates competentes cujas contribuições ajudaram na reputação global da moda britânica ao longo dos anos.

A Rainha tinha envolvimento ativo na criação das roupas colaborando nas escolhas desde tecidos até acabamentos finais.
Sua elegância não se baseava nas modas passageiras mas sim numa construção sólida pautada pela qualidade duradoura entendendo que vestir-se é também uma forma poderosa de comunicação pessoal.
Durante mais sete décadas à frente da Coroa Britânica sua imagem adaptou-se às transformações culturais mantendo sempre sua identidade intacta.

E talvez essa seja uma das lições mais importantes que ela deixou: verdadeira elegância vai além das tendências momentâneas; trata-se da construção contínua duma identidade visual que perdura através do tempo.
A exposição Queen Elizabeth II: Her Life in Style presta homenagem à moda enquanto arte viva ligada à memória cultural. É uma oportunidade única para entender como esta mulher transformou seu guarda-roupa numa parte indissociável da história britânica.

LOCAL DA EXPOSIÇÃO
Queen Elizabeth II: Her Life in Style
The King’s Gallery, Buckingham Palace, Londres
Até 18 de abril de 2027
Mais de 300 peças históricas expostas

 

   

  

Viva com Propósito!
Até logo!


Viviane Pratis
@vivianepratiss
 

<
Colunista de Moda & Lifestyle


 
<
 . 
. . . . .. .. .. ..  // / .
./>>>>>>>>>> .//>>>/><//>.

Tags